Penso, logo me comunico.


Confesso que desde que descobri que umas das minhas missões de vida é colaborar com o desenvolvimento humano através da comunicação, (e para isso funcionar é necessário estudar diariamente) tem dias que tomo apunhaladas tão fortes que demoro para me levantar.

Mas essa demora tem um sentido metafísico. Ela faz parte do processo de absorção daquilo que nem sempre está explícito na mensagem, mas pode ser sentido e escutado, passando por um processo de análise. Primeiro analiso as minhas reações e o porquê daqueles sentimentos enquanto receptor da mensagem. E depois, enquanto emissor da mensagem, tento traduzir em palavras, neste caso, escritas, todo este cenário de metamorfose na forma de nos comunicarmos uns com os outros em meio a revolução tecnológica.

Assim que descobri o chat gpt, pensei:
- Pronto, os dias dos redatores estão contados.
Mas não é bem assim. Se tem algo que máquina não consegue expressar são os sentimentos. Pelo menos não genuinamente. Talvez um pouco por imitação. Mas a literatura como uma das sete artes tradicionais da humanidade simplesmente não irá desaparecer em virtude desta nova tecnologia, pois ela é a base de uma das formas mais puras de expressividade humana e é o que alimenta a própria tecnologia em si. Assim espero que continue!

Outra coisa que tem me chamado atenção, são os aceleradores das vozes humanas presentes antes somente nos aplicativos de mensagens instantâneas e agora entrando nos vídeos de influenciadores digitais. Ou seja, a pessoa transcorre uma ideia que dura um minuto e meio de forma natural e depois acelera o material audiovisual com tecnologias que permitem o entendimento da fala, que foi transformada em quarenta e cinco segundos, por exemplo.
Sinceramente não me sinto influenciado. Onde foram parar a entonação, a pausa, a modulação e até mesmo os erros naturais de uma fala?

Esse entendimento da fala acelerada na minha opinião é superficial, gera muito menos conexão entre o emissor e o receptor da mensagem do que uma fala natural.
Isto se dá, pois, as emoções expressadas naquela fala são suprimidas parcial ou totalmente pelo acelerador da voz. Nós enquanto humanos estamos acostumados a interagir com humanos, sendo este processo de robotização, a meu ver, mais uma barreira criada por nós, que dificulta a comunicação entre nós.

Longe de mim advogar contra a tecnologia, mas esta precisa jogar a nosso favor.

Por último, gostaria de saber se alguém que trabalha no ramo de administração de condomínios, já tem a solução para suprir a falta dos porteiros humanos.

Sim, eu sei que a portaria eletrônica está avançando a passos largos para acelerar o mercado.
É que sinto falta de tomar uma bronca por subir com a pizza no elevador social ou por estar sem camisa. De dar bom dia e parar cinco minutos na portaria para falar de futebol e receber a conta de luz em mãos, entre outras conversas do cotidiano que já não existem mais neste novo modelo predial.

A própria segurança está em xeque sem a presença física dos porteiros, tanto é que as portarias escureceram os vidros e algumas chegam a colocar bonecos fingindo ser alguém que pode ligar para a polícia a qualquer momento mediante a chegada de um bandido.

Uma vez o seu Dantas, porteiro do último prédio que morei com portaria humana, me disse que só ia aos estádios para assistir o futebol feminino, pois ele podia levar a família toda e me mostrou um álbum de fotos (digital), com as fotografias que ele tirava com todos os árbitros no vestiário. Ele dizia que era fã dos juízes, mais do que das jogadoras.   

Sobre estes empregos eu fico pensando, onde irão trabalhar os Josés, Antônios, Raimundos e Dantas, depois da implementação das portarias eletrônicas? Será que eles estão preparados para migrar de carreira? Vão virar uber ou coach de zeladoria?

A recolocação profissional obviamente neste caso, não ocorre. E por favor, não venham com meritocracia e papo de quem quer vai conseguir. Um ou outro sim, conseguem, mas a maioria não. Basta a ver a quantidade de desempregados Brasil a fora.

Portanto, amigos e amigas, tenho uma pergunta reflexiva:

- Nós estamos preparados para a revolução tecnológica e de comunicação como sociedade?

Se a sua resposta for sim. O quanto você está colaborando para compartilhar seus conhecimentos a ponto de integrar a maioria das pessoas neste processo?

E se a sua resposta for não. O que você acha que é necessário fazer para acompanhar a evolução destes processos, sem perder a humanização?

Saudades do seu Dantas!

 

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