Os 3 reis santos do futebol e Pelé
Baltazar, Gaspar e Melchior poderiam ser um trio de atacantes de alguma equipe de futebol brasileira, mas não há registro na história desse encontro de jogadores que levam o nome dos 3 reis magos.
“Baltazar”, Oswaldo Silva (1926 -
1997), mais conhecido como “Cabecinha de Ouro”, nasceu em Santos, em janeiro.
Ele fez 269 gols pelo Corinthians em 404 jogos que disputou nos 12 anos que
vestiu o manto alvinegro de Parque São Jorge. Sendo nada mais nada menos que 71
gols de cabeça. Quantos quilates valia a sua testada? Saravá São Jorge. Quanto
ouro!
Baltazar estreou no estádio Ulrico
Mursa, contra o Jabaquara em Santos em 1945.
Na ocasião, o Timão empatou com os donos da casa em 5 X 5.
Dalmo Gaspar (1932 – 2015), foi lateral
esquerdo do Santos Futebol Clube na época do Bicampeonato Mundial. Contra o
Milan, no Maracanã, fez o gol de pênalti que garantiu o Bi de 63 para o Peixe
por 1x0. Tinha a confiança de Pelé e companhia para tal.
Certa vez na Europa, Pelé ganhou uma
chuteira de borracha, ainda muito rara e incomum na época, o rei agradeceu, mas
acabou deixando-a de lado embaixo da cama. Dalmo Gaspar, seu companheiro de
quarto, não hesitou e vestiu as chuteiras de borracha por uma temporada toda.
Foi o rei da temporada, brincou Pelé nos vestiários. Gaspar e Pelé
protagonizaram uma polêmica. Qual dos dois teria sido o inventor da paradinha?
Coisas de Reis.
Reis tem poderes de santos e seus presentes são sobrenaturais, como a chuteira
de borracha do rei Pelé para Gaspar, era a mirra que o Rei Gaspar trouxe para o
menino Jesus, assim como o ouro, trazido pelo Rei Baltazar em 06 de janeiro
para o menino Jesus, era “O Cabecinha de Ouro” – “Baltazar”, que não teria tido
o apelido por acaso, nascido no mês dos Santos Reis Magos, em janeiro, na mesma
cidade, de Santos.
Já o terceiro rei, Melchior, que trouxe
incensos puros como os indianos e perfumados como os menores frascos franceses,
para purificar o menino Jesus, também teve seu nome homenageado como rei na
figura do jogador Ernst Melchior, (1920 –
1978), futebolista Austríaco que levara nome de rei, jogou na França e recebeu
suas devidas honras póstumas, com o batizado de uma rua em sua homenagem. Assim
como a avenida do Maracanã que acabou de mudar o nome para Avenida Rei Pelé.
Em Viena, os chamavam
de rei da disparada. (Jair Rodrigues que me perdoe.)
Quando enfrentava brasileiros, costumava disparar na avenida em direção a
lateral e dava carrinhos capazes de rasgar até chuteiras de borracha. As
estatísticas futebolísticas dele não chegam aos chinelos de dedo que os reis
santistas usavam para caminhar na orla da praia, mas na fria Viena, teve
respeitada a herança do nome de um dos reis magos.
Sorte que a fumaça dos
seus incensos encobriria a visão dos nossos reis para que nunca cruzassem seu
caminho em campo, e assim puderam nos presentear com o melhor que o futebol
poderia nos dar. Ou melhor, melhor que os santos poderiam nos dar. Não o time,
mas os reis. Não os reis de Santos, os reis santos. Não do time do Santos, mas
da santidade.
Bem, vocês entenderam...
“Hoje é o dia de Santo
Reis. Anda meio esquecido, mas é o dia de Santo Reis...", cantava Tim Maia. Deve ser
por tudo isso que hoje também é o dia da gratidão.
Obrigado reis e suas
santidades.
Fabião
Fábio Zulli Sesiki

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