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Uma crônica sobre o nada. Já que poesia não serve pra nada.

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Segunda-feira, 29 de maio de 2023. Está frio e chove em Santos. A cena matinal é bucólica pela janela. Quase ninguém sai de casa, são poucos guarda-chuvas que avisto do alto do quinto andar. Somente os carros transitam com certa pressa. Hoje é segunda-feira. Dia do tudo para alguns. Para outros, dia do nada. Já arrumei a casa, lavei a louça, tirei o lixo do final de semana. Basta! As roupas lavarei somente amanhã, preciso de uma manhã cheia de nada para fazer. A tarde tenho reuniões sobre tudo que possa me gerar alguns trocados e a noite seguirei atarefado. De manhã me atento a escrever um texto que não serve para nada para você ler aí sem ser julgado. Faz tempo que ando confabulando com minhas entidades secretas quanto a escrever sobre o nada. O nada mesmo. Aquele vazio imenso acompanhado de um silêncio absoluto. Mas o silencio é constantemente interrompido pelo belo som dos passarinhos que cantam entre as breves pausas da chuva, meu estomago que demonstra sinais vitais e por ...

O racismo com aroma de tomates.

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Os colonizadores inventores do racismo e idealizadores de toda tragédia do modelo de escravidão, que há 500 anos impõem sofrimento e dominação aos irmãos e irmãs de origem preta, nunca tiveram vergonha de ser quem são. Eles são os filhos dos reis. A partir deste ponto central, diante de mais uma asquerosa situação que se repete dia após dia, ano após ano, e que se tornou uma perseguição particular no caso do jogador de futebol Vinicius Jr., está mais do que na hora de haver mais do que 48 horas ou um pouco mais de tweets , textos e notas de solidariedade em defesa do jogador nas redes sociais em mais uma marola que visa dizer não para o racismo. Não pode ficar por isso mesmo. Apesar de importante esse movimento de repúdio em todo mundo, por si só, infelizmente não irá atingir a estrutura racista, principalmente aquela do outro lado do Atlântico, que tem aroma de tomates, touradas e é governada por reis há séculos. Primeiro, a partir do alto do nosso privilégio branco tupiniquim, ...

“Nem luxo nem lixo”, quero saúde para andar por aí ouvindo o som da Rita Lee.

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     Foto: Patricia Cecatti Não é necessário perder uma grande artista como Rita Lee para que se façam homenagens, mas todas elas continuam sendo muito bem-vindas. O título deste texto foi minha singela homenagem a ela que escrevi no poema Meus poetas geniais , lançado no meu primeiro livro ano passado – Identidade Poética pela editora Scortecci em São Paulo. Mas ela merece mais de mim, afinal de contas, “eu não tenho hora pra morrer por isso sonho”. E foi nessas tantas horas sonhando e tendo pesadelos acordado, vendo a morte de perto durante a pandemia, que o som da Rita Lee me segurou andando por aí, de máscara e fones de ouvido, me trazendo inspirações mutantes, mascando chiclete tutti frutti enquanto seguia meu caminho, indo e voltando para casa. “Ai de mim que sou assim”. Durante um show já no final da carreira, Rita chamou os policiais de filhos da puta por baterem na juventude que estavam fumando seus baseados a céu aberto. O barulho que ela fez rendeu mais uma...

Penso, logo me comunico.

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Confesso que desde que descobri que umas das minhas missões de vida é colaborar com o desenvolvimento humano através da comunicação, (e para isso funcionar é necessário estudar diariamente) tem dias que tomo apunhaladas tão fortes que demoro para me levantar. Mas essa demora tem um sentido metafísico. Ela faz parte do processo de absorção daquilo que nem sempre está explícito na mensagem, mas pode ser sentido e escutado, passando por um processo de análise. Primeiro analiso as minhas reações e o porquê daqueles sentimentos enquanto receptor da mensagem. E depois, enquanto emissor da mensagem, tento traduzir em palavras, neste caso, escritas, todo este cenário de metamorfose na forma de nos comunicarmos uns com os outros em meio a revolução tecnológica. Assim que descobri o chat gpt , pensei: - Pronto, os dias dos redatores estão contados. Mas não é bem assim. Se tem algo que máquina não consegue expressar são os sentimentos. Pelo menos não genuinamente. Talvez um pouco por imitaç...

O dilúvio de 23 e as bundas de vocês.

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               Foto: Flávio Tavares De sábado para domingo um dilúvio de proporções recordes tomou conta de todo litoral paulista. Nunca se viu tanta chuva e ao mesmo tempo nunca se viu tanta bunda. Não estou falando das bundas moles que já na terça-feira de carnaval ensaiavam levar cadeiras e guarda-sóis nas praias próximas a São Sebastião para curar a ressaca, como foi reportado na internet, mas das bundas multicoloridas e purpurinadas que invadiram minhas redes sociais neste carnaval, em meio a tragédia anunciada. Desta vez eu não mostrei a minha. Antes da tragédia, memes anunciavam: “Guerra na Ucrânia e o brasileiro pronto para pular carnaval.” Neste caso, a distância do fato não é capaz de nos sensibilizar a ponto de não extravasarmos nossos desejos carnavalescos. Compreensível, não é com a gente e está longe pra caramba. Será? Mas o que seria capaz de frear nossos impulsos de festejos carnais? A tragédia no litoral norte, dest...

Parabéns, minhas cidades queridas!

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     Foto: Divulgação/Ecovias Parabéns, minhas cidades queridas! Ontem 25/01, foi aniversário de São Paulo, minha cidade natal. Hoje 26/01, é aniversário de Santos, minha cidade escolhida faz 7 anos. Na verdade, escolhi mesmo quando eu era criança, mas só depois dos trinta anos resolvi colocar esta mudança em prática. Esse ano completo quarenta anos e o amadurecimento que aparece nos meus cabelos brancos, reforça a certeza do amor as minhas duas cidades. Só quem já mudou de cidade sabe o quanto as diferenças culturais são impactantes no começo. Bom, sei disso pois passei por cidades do exterior e do Sul do país por menores períodos antes de chegar até aqui. Confesso que saí de São Paulo com raiva da cidade. Quem aguenta essa selva de pedra? Eu dizia. Enfim, eu poderia enumerar uma série de problemas que eu não aguentava mais em São Paulo. Mas hoje, depois de quase uma década, consigo perceber muito mais os atrativos de Sampa do que os problemas e adoro retornar a ...

Os 3 reis santos do futebol e Pelé

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    Foto: ISTOÉ esportes e Lance Baltazar, Gaspar e Melchior poderiam ser um trio de atacantes de alguma equipe de futebol brasileira, mas não há registro na história desse encontro de jogadores que levam o nome dos 3 reis magos. “Baltazar”, Oswaldo Silva (1926 - 1997), mais conhecido como “Cabecinha de Ouro”, nasceu em Santos, em janeiro. Ele fez 269 gols pelo Corinthians em 404 jogos que disputou nos 12 anos que vestiu o manto alvinegro de Parque São Jorge. Sendo nada mais nada menos que 71 gols de cabeça. Quantos quilates valia a sua testada? Saravá São Jorge. Quanto ouro! Baltazar estreou no estádio Ulrico Mursa, contra o Jabaquara em Santos em 1945. Na ocasião, o Timão empatou com os donos da casa em 5 X 5. Dalmo Gaspar (1932 – 2015), foi lateral esquerdo do Santos Futebol Clube na época do Bicampeonato Mundial. Contra o Milan, no Maracanã, fez o gol de pênalti que garantiu o Bi de 63 para o Peixe por 1x0. Tinha a confiança de Pelé e companhia para tal. Cer...