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Verdades que precisam ser ditas

Faixa viva virou faixa da morte, para atravessar a rua precisa contar com a sorte. Moradia social virou hotel com plataforma internacional. Há cidades onde a população diminuiu 5%. Mas o número de imóveis novos cresceu mais de 20%. O déficit habitacional é de 6 milhões de pessoas no Brasil, mas tem menos gente sem casa do que apartamento vazio. Uber era para ser alternativa de renda extra. Virou emprego sem direitos porquê outra opção não resta. Ifood era pra entregar comida, entrega tudo, menos dignidade a quem mais se presta. Taxi custa caro e só circula no Rio de Janeiro. Onde você entra sem saber quanto vai dar a corrida, qual é o caminho e não entende como chegou vivo no destino, mas mesmo assim continua usando toda vez que chega na cidade, só pra ter mais uma história de verdade. O que dizer das Bets? Aposto que viciaram mais gente que cocaína, álcool e internet. Para escrever, usam chatgpt. É fácil prever. (Não é sobre...) Para emagrecer usam caneta. Dieta pr...

1969

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Em 1969 a revolução cubana liderada por Fidel Castro completava 10 anos. A Kombi Corujinha completava 12 anos no Brasil, em seus tempos mais áureos. O Brasil ainda não era Tricampeão do mundo de futebol e vivia os primeiros anos sangrentos da ditadura militar. A democracia Chilena estava prestes a colapsar pelas mãos de Augusto Pinochet. Meu pai tinha apenas 10 anos. Faz 10 anos que parei de fumar oficialmente. (não me julguem pelas escorregadas, mas o cigarro não me controla mais.) Faz mais de 10 anos que ganhei esse cinzeiro do meu amado amigo @lucaslagatta quando ele foi para Cuba por livre e espontânea vontade sem que o tivessem mandado para lá. Já me mandaram tanto ir pra lá, mas nunca me deram a passagem. Um dia irei tomar um Mojito e ouvir Buena Vista Social Club em Havana com minha própria grana capitalista. Enfim, eu só queria dizer que de tempos em tempos a gente precisa sentar-se só, beber um vinho e sentir que a vida é mais do que a política, mais do que a sauda...

Ziraldo - Bienal 2002

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Hoje é o dia seguinte à passagem de Ziraldo. Em meio a tantas homenagens ao gênio cartunista, literário e com importante influência política em nosso país, me lembrei do texto que escrevi há dois anos atrás, onde conto um pouco do dia em que o conheci, no longínquo ano de 2002. Uma relação que me conecta fortemente com a literatura e a poesia. Aquele dia foi inesquecível, mas infelizmente não tenho nenhum registro fotográfico, afinal era necessário um fotógrafo de prontidão. Os celulares mal enviavam mensagens de SMS, o que dirá fazer uma foto. Mas enquanto não encontro uma foto oficial quem sabe nos arquivos da Editora Melhoramentos, m eu pai que o conhecia muito bem, me mandou umas fotos do dia em que fomos em 2019 ver a exposição do Ziraldo na casa Melhoramentos, com meus dois meninos maluquinhos, assim posso ilustrar essa homenagem com sentido mais pessoal e adicionar mais uma data na linha do tempo para confundir tudo, mas isso é só um detalhe. Abaixo o texto que publiquei no fac...

Todo dia oito de março

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Feliz dia das mulheres para a minha esposa, mãe, madrasta, tias, primas, amigas e irmãs. Que todo dia seja seu como a luz da manhã. Feliz dia das mulheres para as minhas filhas, netas, bisnetas, (ex) amantes e (ex) namoradas. Que todo dia seja seu como seu o seu corpo é – a sua livre calçada. Feliz dia das mulheres para minhas vizinhas, alunas, professoras, chefas, mestras, aprendizes e empregadas. Que todo dia seja seu como o seu direito de ser líder, ora sejas liderada. Feliz dia das mulheres para quem usa burca, salto alto, rasteirinha, saia curta, saia longa e blusinha. Que todo dia seja seu como quem nasceu para vestir a melhor roupa que tinha. Feliz dia das mulheres para as conservadoras, progressistas e moderninhas. Que todo dia seja seu como quem se impõe diante de um tirano - almofadinha. Feliz dia das mulheres paras as tímidas, mau humoradas, bravas e certinhas. Que todo dia seja seu para o sangue subir às bochechas e descer sempre livre pelas suas vias....

A voz segue seu curso

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(publicado no Linkdein) Gostaria de compartilhar que estou começando em um novo cargo de Professor de Comunicação e Oratória na VOX2YOU em Santos. As demais atividades de locução comercial e produção audiovisual seguem normalmente.   Seguem normalmente também as atividades de locução esportiva especializada em Basketball, assim como as atividades de redação publicitária e textos para diferentes setores do mercado.   (só até aqui)  Continua no blog...   Seguem também inalteradas, é bom lembrar, meu apreço e dedicação à poesia, da qual continuo me embebedando de versos, não só dos bons, mas dos mais simples e complexos. Meus poemas são meu dia a dia.   Hoje é dia 01 de fevereiro e seguem normalmente as demais atividades de pai em tempo semi-integral, enquanto os meninos continuam de férias, mas já preparando as alegorias, afinal, alá-la ô, está chegando o carnaval. Quem diria?!   Seguem também normalmente por aqui o desejo e a força de ...

A copa que não liberta dores

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A copa que não liberta dores   Quem me acompanha faz tempo sabe que já devo ter ido a mais de quinhentos jogos no estádio. Jogos locais e muitas vezes fora de casa. Esse número só não é tremendamente maior pois desde 2016 vim morar no litoral e a vida de papai me mostrou que o futebol não é tão importante assim. Opa, calma aí! Se não é tão importante assim, que raios estou fazendo escrevendo sobre a final da libertadores em plena segunda-feira se nem era jogo do Corinthians? Eu explico e vou contextualizar porque o assunto é sério. Assunto de preto e branco. É importante e não é só sobre futebol. Nem só porque torcedores do Boca invadiram o Rio para uma final contra o Fluminense. Isso nós corintianos já fizemos em 1976 na final do Brasileiro e foi tremendamente maior. Eu não tinha nascido, mas os relatos são de que os 70 mil corintianos foram bem recebidos e se comportaram bem em terras cariocas. Invadir o Rio é com a gente mesmo, já fizemos isso inúmeras outras vezes e...

Uma crônica sobre o nada. Já que poesia não serve pra nada.

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Segunda-feira, 29 de maio de 2023. Está frio e chove em Santos. A cena matinal é bucólica pela janela. Quase ninguém sai de casa, são poucos guarda-chuvas que avisto do alto do quinto andar. Somente os carros transitam com certa pressa. Hoje é segunda-feira. Dia do tudo para alguns. Para outros, dia do nada. Já arrumei a casa, lavei a louça, tirei o lixo do final de semana. Basta! As roupas lavarei somente amanhã, preciso de uma manhã cheia de nada para fazer. A tarde tenho reuniões sobre tudo que possa me gerar alguns trocados e a noite seguirei atarefado. De manhã me atento a escrever um texto que não serve para nada para você ler aí sem ser julgado. Faz tempo que ando confabulando com minhas entidades secretas quanto a escrever sobre o nada. O nada mesmo. Aquele vazio imenso acompanhado de um silêncio absoluto. Mas o silencio é constantemente interrompido pelo belo som dos passarinhos que cantam entre as breves pausas da chuva, meu estomago que demonstra sinais vitais e por ...

O racismo com aroma de tomates.

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Os colonizadores inventores do racismo e idealizadores de toda tragédia do modelo de escravidão, que há 500 anos impõem sofrimento e dominação aos irmãos e irmãs de origem preta, nunca tiveram vergonha de ser quem são. Eles são os filhos dos reis. A partir deste ponto central, diante de mais uma asquerosa situação que se repete dia após dia, ano após ano, e que se tornou uma perseguição particular no caso do jogador de futebol Vinicius Jr., está mais do que na hora de haver mais do que 48 horas ou um pouco mais de tweets , textos e notas de solidariedade em defesa do jogador nas redes sociais em mais uma marola que visa dizer não para o racismo. Não pode ficar por isso mesmo. Apesar de importante esse movimento de repúdio em todo mundo, por si só, infelizmente não irá atingir a estrutura racista, principalmente aquela do outro lado do Atlântico, que tem aroma de tomates, touradas e é governada por reis há séculos. Primeiro, a partir do alto do nosso privilégio branco tupiniquim, ...

“Nem luxo nem lixo”, quero saúde para andar por aí ouvindo o som da Rita Lee.

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     Foto: Patricia Cecatti Não é necessário perder uma grande artista como Rita Lee para que se façam homenagens, mas todas elas continuam sendo muito bem-vindas. O título deste texto foi minha singela homenagem a ela que escrevi no poema Meus poetas geniais , lançado no meu primeiro livro ano passado – Identidade Poética pela editora Scortecci em São Paulo. Mas ela merece mais de mim, afinal de contas, “eu não tenho hora pra morrer por isso sonho”. E foi nessas tantas horas sonhando e tendo pesadelos acordado, vendo a morte de perto durante a pandemia, que o som da Rita Lee me segurou andando por aí, de máscara e fones de ouvido, me trazendo inspirações mutantes, mascando chiclete tutti frutti enquanto seguia meu caminho, indo e voltando para casa. “Ai de mim que sou assim”. Durante um show já no final da carreira, Rita chamou os policiais de filhos da puta por baterem na juventude que estavam fumando seus baseados a céu aberto. O barulho que ela fez rendeu mais uma...

Penso, logo me comunico.

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Confesso que desde que descobri que umas das minhas missões de vida é colaborar com o desenvolvimento humano através da comunicação, (e para isso funcionar é necessário estudar diariamente) tem dias que tomo apunhaladas tão fortes que demoro para me levantar. Mas essa demora tem um sentido metafísico. Ela faz parte do processo de absorção daquilo que nem sempre está explícito na mensagem, mas pode ser sentido e escutado, passando por um processo de análise. Primeiro analiso as minhas reações e o porquê daqueles sentimentos enquanto receptor da mensagem. E depois, enquanto emissor da mensagem, tento traduzir em palavras, neste caso, escritas, todo este cenário de metamorfose na forma de nos comunicarmos uns com os outros em meio a revolução tecnológica. Assim que descobri o chat gpt , pensei: - Pronto, os dias dos redatores estão contados. Mas não é bem assim. Se tem algo que máquina não consegue expressar são os sentimentos. Pelo menos não genuinamente. Talvez um pouco por imitaç...

O dilúvio de 23 e as bundas de vocês.

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               Foto: Flávio Tavares De sábado para domingo um dilúvio de proporções recordes tomou conta de todo litoral paulista. Nunca se viu tanta chuva e ao mesmo tempo nunca se viu tanta bunda. Não estou falando das bundas moles que já na terça-feira de carnaval ensaiavam levar cadeiras e guarda-sóis nas praias próximas a São Sebastião para curar a ressaca, como foi reportado na internet, mas das bundas multicoloridas e purpurinadas que invadiram minhas redes sociais neste carnaval, em meio a tragédia anunciada. Desta vez eu não mostrei a minha. Antes da tragédia, memes anunciavam: “Guerra na Ucrânia e o brasileiro pronto para pular carnaval.” Neste caso, a distância do fato não é capaz de nos sensibilizar a ponto de não extravasarmos nossos desejos carnavalescos. Compreensível, não é com a gente e está longe pra caramba. Será? Mas o que seria capaz de frear nossos impulsos de festejos carnais? A tragédia no litoral norte, dest...

Parabéns, minhas cidades queridas!

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     Foto: Divulgação/Ecovias Parabéns, minhas cidades queridas! Ontem 25/01, foi aniversário de São Paulo, minha cidade natal. Hoje 26/01, é aniversário de Santos, minha cidade escolhida faz 7 anos. Na verdade, escolhi mesmo quando eu era criança, mas só depois dos trinta anos resolvi colocar esta mudança em prática. Esse ano completo quarenta anos e o amadurecimento que aparece nos meus cabelos brancos, reforça a certeza do amor as minhas duas cidades. Só quem já mudou de cidade sabe o quanto as diferenças culturais são impactantes no começo. Bom, sei disso pois passei por cidades do exterior e do Sul do país por menores períodos antes de chegar até aqui. Confesso que saí de São Paulo com raiva da cidade. Quem aguenta essa selva de pedra? Eu dizia. Enfim, eu poderia enumerar uma série de problemas que eu não aguentava mais em São Paulo. Mas hoje, depois de quase uma década, consigo perceber muito mais os atrativos de Sampa do que os problemas e adoro retornar a ...

Os 3 reis santos do futebol e Pelé

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    Foto: ISTOÉ esportes e Lance Baltazar, Gaspar e Melchior poderiam ser um trio de atacantes de alguma equipe de futebol brasileira, mas não há registro na história desse encontro de jogadores que levam o nome dos 3 reis magos. “Baltazar”, Oswaldo Silva (1926 - 1997), mais conhecido como “Cabecinha de Ouro”, nasceu em Santos, em janeiro. Ele fez 269 gols pelo Corinthians em 404 jogos que disputou nos 12 anos que vestiu o manto alvinegro de Parque São Jorge. Sendo nada mais nada menos que 71 gols de cabeça. Quantos quilates valia a sua testada? Saravá São Jorge. Quanto ouro! Baltazar estreou no estádio Ulrico Mursa, contra o Jabaquara em Santos em 1945. Na ocasião, o Timão empatou com os donos da casa em 5 X 5. Dalmo Gaspar (1932 – 2015), foi lateral esquerdo do Santos Futebol Clube na época do Bicampeonato Mundial. Contra o Milan, no Maracanã, fez o gol de pênalti que garantiu o Bi de 63 para o Peixe por 1x0. Tinha a confiança de Pelé e companhia para tal. Cer...